Comunidades e Padrões Abertos
Antes de falar de comunidades e padrões abertos, gostaria de agradecer àqueles que participaram do nosso web panel de 31.03 e compartilhar com vocês as estatísticas do evento:
- 48 pessoas participaram presencialmente do evento, entre blogueiros, jornalistas, clientes e analistas de mercado.
- A audiência média do painel pela web se situou entre 60 e 90 internautas, das 9 hs às 12 hs.
- O debate gerou 243 comentários no Twitter, para um público potencial de 5.000 pessoas.
- O debate ao vivo e web, simultâneo através de uma sala de chat, foi encerrado ao meio-dia com perguntas entrando todo o tempo. Durante o debate, o nível de interesse se manteve sempre alto.
Na busca do desenvolvimento colaborativo, hoje abordarei a questão dos padrões e sua importância para a colaboração.
O motivo pelo qual você pode ir a uma loja, comprar uma TV e ao chegar em casa, simplesmente ligar na tomada, conectar em uma antena e já sair assistindo seu programa favorito, é porque existem padrões. Com certeza nem passou pela sua cabeça na hora da compra se o plugue da TV iria encaixar na tomada da sua casa. Esse é só um exemplo entre milhares de situações na vida moderna onde a padronização está presente. Podemos dizer que a padronização de produtos, tecnologias, serviços e processos tem sido um fator-chave na incrível evolução industrial e tecnológica da humanidade. Quanto mais um produto interage com outros, maior a importância do mesmo ser construído baseado em padrões; assim como maior é a possibilidade de seu sucesso no mercado.
Se no mundo dos bens de consumo os padrões são importantes, no mundo dos bits e bytes eles são fundamentais. Podemos produzir uma “bola” seguindo um simples padrão (formato “redondo”), mas é impossível criar um software sem utilizar uma boa quantidade de padrões. Linguagens de programação, protocolos de comunicação, bancos de dados, são coisas do dia a dia da informática e todas são baseadas em padrões. O que seria da Web se não fosse alguns de padrões bem conhecidos: HTML, HTTP, TCP/IP, XML, entre outros. Na chamada Web 2.0, a necessidade de padrões torna-se ainda mais evidente. O uso de mashups na Web 2.0, que basicamente é a integração de serviços de diferentes sites em uma página Web, seria muito difícil sem o uso de padrões.
Os padrões de mercado podem surgir de diferentes maneiras, em muitos casos, o sucesso de um produto, ou tecnologia, acaba definindo um padrão. Em certas situações, especialmente em casos de monopólios, os padrões acabam sendo impostos. Normalmente os padrões definidos por um fabricante único, estão associados a patentes e royalties e são chamados de padrões fechados. Por outro lado existem os padrões abertos, que são aqueles definidos por comunidades e/ou associações de fabricantes. Nos padrões abertos, as pessoas e empresas podem livremente utilizar no desenvolvimento de seus produtos ou serviços.
Ao desenvolver um novo componente ou aplicativo de software, procuraremos por padrões abertos que possam ser utilizados. Isso fortalecerá o produto resultante, aumentando sua interoperabilidade e muitas vezes evitando a ”reinvenção da roda”. Produtos que seguem padrões abertos são mais fortes, assim como as comunidades que apóiam e divulgam tais padrões.
Existem diversas entidades padronizadoras que definem padrões abertos, como ISO, ABNT, W3C, entre muitas outras. Uma dessas entidades, conhecida como JCP (Java Community Process), é uma organização que visa a padronização e evolução das tecnologias Java. O modelo do JCP é baseado nas chamadas Java Specification Request (JSRs). Uma JSR engloba a especificação de uma determinada tecnologia ou API Java, uma implementação de referência, que prova a viabilidade do que foi documentado e uma suíte de testes, para que implementadores da especificação tenham uma forma de certificar que seus produtos seguem o especificado. Exemplos como o do JCP devem ser seguidos e incentivados nas comunidades. Não só para construção de componentes, definição de protocolos, mas também para a evolução do vasto universo da ergonomia e usabilidade.
Destaco ainda outras padronizadoras internacionais que possuem padrões focados na usabilidade, como a “International Standardization Organization (ISO)” e “International Eletrotechnical Comission (IEC)”. Os principais padrões com esse foco específico são:
- 9241-11: Guidance on usability
- 13407: Human-Centred Design Processes or Interactive Systems
- 18529: Human-Centred Design Lifecycle Process Descriptions
Acredito que, uma vez constituída formalmente nossa Comunidade para o Desenvolvimento Colaborativo de Ergonomia de Software (CDES), o primeiro passo deverá ser a aproximação das entidades padronizadoras, para que possamos escolher os padrões que facilitarão nossa colaboração.
Num próximo post proporei a agenda para uma reunião “ao vivo” (presencial e com participantes via web de todo o país) para fundarmos formalmente a CDES Brasil.
Um abraço.

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