Casa de ferreiro, espeto de ferro!
Amigos, desde meu primeiro post no Jukebox venho defendendo algumas bandeiras não comuns à indústria de software, tais como a importância da ergonomia, o software oferecido como um serviço, o uso da internet como meio de acesso, a utilização de plataformas tecnológicas de mercado em detrimento de plataformas proprietárias, entre outros aspectos.
Na posição de CEO da Datasul, procuro ser coerente com minhas crenças. Com esta convicção tenho defendido dentro da empresa a evolução de nosso produto na direção daquilo que reputo relevante para nossos usuários.
No próximo dia 29 de abril - mês em que a Datasul completa 30 anos -, anunciaremos uma nova geração de produtos, que agrega todos os conceitos que tenho defendido neste blog.
Em respeito ao investimento feito pelos nossos clientes, nossa nova geração de produtos introduz conceitos de gestão inovadores:
· TOC (Teoria das Restrições)
· Estratégia de sempre contar com parceiros de tecnologia ao invés de tecnologia proprietária
· Utilização de arquitetura escalável
· Uso intensivo de personalização
· Padrão de gráfico diferenciado
· Conceitos de Web 2.0
· Padrões abertos para integração com outros aplicativos
O “nome interno” do novo produto é Anyware, fazendo referência a um produto que pode ser utilizado com quase qualquer base tecnológica, dentre às mais populares do mercado.
O produto será lançado num importante evento em São Paulo para alguns convidados da imprensa, clientes Datasul e parceiros de negócios. No dia seguinte ao lançamento, todos vocês poderão conhecer o Anyware através de nossos portais na web, ou através da rede de franquias Datasul em todo o país.
Essa nova “geração” de produtos da Datasul deverá marcar época e, pelas suas características, vocês verão que nós somos “ferreiros que assamos a carne em espeto de ferro”.
Da teoria à prática
Nos meus últimos posts tenho discutido intensamente a idéia de constituirmos uma Comunidade para o Desenvolvimento Colaborativo de Ergonomia de Software (CDES) Brasil. É chegada a hora de sairmos da teoria para a prática e nos movimentarmos em direção à formalização da entidade.
Na verdade, já temos um embrião de comunidade, com a disponibilização de tempo de profissionais do network Datasul, código-fonte (licença MPL), blogs, fóruns e wiki, mas tudo isso é apenas um “pontapé inicial”. Já tivemos até retornos muito positivos, como do Sr. Igor Costa e a empresa OnCast. Os projetos estão localizados em:
Em breve colocaremos estes links de forma destacada dentro da nossa comunidade, visando incentivar outras iniciativas na mesma direção.
Indo um pouco além, proponho nos reunirmos fisicamente em Joinville, no dia 13/05/2008, das 14 às 17h, na sede da Datasul, com o objetivo de formalizarmos a CDES Brasil. Agenda proposta:
- Abertura e recall dos propósitos da comunidade – Jorge Steffens (CEO Datasul)
- Proposta organização e papéis para os participantes da CDES – Jorge Steffens
- Proposta de procedimentos para operação da comunidade – Edimilson Correa (Dir. Desenvolvimento Datasul)
- Revisão da plataforma Tecnológica para a Colaboração – Glauco Scheffel (Gerente Tecnologia) e Rodrigo Bernardi (Arquiteto e líder de projeto)
- Apresentações das SW houses presentes (5 min cada)
- Eleição da Diretoria e plano de ação com próximos passos – Edimilson Correa
Durante o evento abriremos um link web para transmitir a reunião para quem se interesse e não possa participar fisicamente. O link será informado diretamente para aqueles que se inscreverem para o evento. Os participantes web poderão interagir através da sala de chat.
Inscrições devem ser enviadas para contato @ opensource.datasul.com.br (espaços em branco para evitar spammers) com seus dados de contato (nome, empresa, cargo, e-mail e telefone).
Reforço ainda o convite para que as discussões sobre usabilidade e web 2.0 não aguardem nosso encontro presencial e comecem o quanto antes, através do fórum localizado em: http://opensource.datasul.com.br/jforum
Um forte abraço a todos os futuros parceiros.
Comunidades e Padrões Abertos
Antes de falar de comunidades e padrões abertos, gostaria de agradecer àqueles que participaram do nosso web panel de 31.03 e compartilhar com vocês as estatísticas do evento:
- 48 pessoas participaram presencialmente do evento, entre blogueiros, jornalistas, clientes e analistas de mercado.
- A audiência média do painel pela web se situou entre 60 e 90 internautas, das 9 hs às 12 hs.
- O debate gerou 243 comentários no Twitter, para um público potencial de 5.000 pessoas.
- O debate ao vivo e web, simultâneo através de uma sala de chat, foi encerrado ao meio-dia com perguntas entrando todo o tempo. Durante o debate, o nível de interesse se manteve sempre alto.
Na busca do desenvolvimento colaborativo, hoje abordarei a questão dos padrões e sua importância para a colaboração.
O motivo pelo qual você pode ir a uma loja, comprar uma TV e ao chegar em casa, simplesmente ligar na tomada, conectar em uma antena e já sair assistindo seu programa favorito, é porque existem padrões. Com certeza nem passou pela sua cabeça na hora da compra se o plugue da TV iria encaixar na tomada da sua casa. Esse é só um exemplo entre milhares de situações na vida moderna onde a padronização está presente. Podemos dizer que a padronização de produtos, tecnologias, serviços e processos tem sido um fator-chave na incrível evolução industrial e tecnológica da humanidade. Quanto mais um produto interage com outros, maior a importância do mesmo ser construído baseado em padrões; assim como maior é a possibilidade de seu sucesso no mercado.
Se no mundo dos bens de consumo os padrões são importantes, no mundo dos bits e bytes eles são fundamentais. Podemos produzir uma “bola” seguindo um simples padrão (formato “redondo”), mas é impossível criar um software sem utilizar uma boa quantidade de padrões. Linguagens de programação, protocolos de comunicação, bancos de dados, são coisas do dia a dia da informática e todas são baseadas em padrões. O que seria da Web se não fosse alguns de padrões bem conhecidos: HTML, HTTP, TCP/IP, XML, entre outros. Na chamada Web 2.0, a necessidade de padrões torna-se ainda mais evidente. O uso de mashups na Web 2.0, que basicamente é a integração de serviços de diferentes sites em uma página Web, seria muito difícil sem o uso de padrões.
Os padrões de mercado podem surgir de diferentes maneiras, em muitos casos, o sucesso de um produto, ou tecnologia, acaba definindo um padrão. Em certas situações, especialmente em casos de monopólios, os padrões acabam sendo impostos. Normalmente os padrões definidos por um fabricante único, estão associados a patentes e royalties e são chamados de padrões fechados. Por outro lado existem os padrões abertos, que são aqueles definidos por comunidades e/ou associações de fabricantes. Nos padrões abertos, as pessoas e empresas podem livremente utilizar no desenvolvimento de seus produtos ou serviços.
Ao desenvolver um novo componente ou aplicativo de software, procuraremos por padrões abertos que possam ser utilizados. Isso fortalecerá o produto resultante, aumentando sua interoperabilidade e muitas vezes evitando a ”reinvenção da roda”. Produtos que seguem padrões abertos são mais fortes, assim como as comunidades que apóiam e divulgam tais padrões.
Existem diversas entidades padronizadoras que definem padrões abertos, como ISO, ABNT, W3C, entre muitas outras. Uma dessas entidades, conhecida como JCP (Java Community Process), é uma organização que visa a padronização e evolução das tecnologias Java. O modelo do JCP é baseado nas chamadas Java Specification Request (JSRs). Uma JSR engloba a especificação de uma determinada tecnologia ou API Java, uma implementação de referência, que prova a viabilidade do que foi documentado e uma suíte de testes, para que implementadores da especificação tenham uma forma de certificar que seus produtos seguem o especificado. Exemplos como o do JCP devem ser seguidos e incentivados nas comunidades. Não só para construção de componentes, definição de protocolos, mas também para a evolução do vasto universo da ergonomia e usabilidade.
Destaco ainda outras padronizadoras internacionais que possuem padrões focados na usabilidade, como a “International Standardization Organization (ISO)” e “International Eletrotechnical Comission (IEC)”. Os principais padrões com esse foco específico são:
- 9241-11: Guidance on usability
- 13407: Human-Centred Design Processes or Interactive Systems
- 18529: Human-Centred Design Lifecycle Process Descriptions
Acredito que, uma vez constituída formalmente nossa Comunidade para o Desenvolvimento Colaborativo de Ergonomia de Software (CDES), o primeiro passo deverá ser a aproximação das entidades padronizadoras, para que possamos escolher os padrões que facilitarão nossa colaboração.
Num próximo post proporei a agenda para uma reunião “ao vivo” (presencial e com participantes via web de todo o país) para fundarmos formalmente a CDES Brasil.
Um abraço.
Fotos e vídeos do Webpanel
Abaixo você pode conferir algumas fotos do Webpanel Jukebox que fizemos no dia 31/03:
E a gravação do webcast, na íntegra, com a discussão sobre ergonomia, colaboração e a criação de uma comunidade colaborativa, além das perguntas da platéia e da internet.
Lançada a pedra fundamental da comunidade colaborativa
Prezados amigos, anteontem lançamos a pedra fundamental de nossa comunidade colaborativa para desenvolvimento de ergonomia de software. A ergonomia tem sido nossa meta principal para a colaboração, por todos os motivos explicados e discutidos anteriormente, mas não precisamos nos limitar a ela. Podemos, ao longo da evolução de nossa comunidade, decidir por desenvolver colaborativamente outros componentes de software que julguemos interessantes para nossas empresas. Proponho denominar nossa comunidade como “Jukebox Software”. Se vocês não gostarem, me mandem idéias e sugestões através do fórum.
Aproveitando a oportunidade gostaria de agradecer publicamente pela excelente participação em nosso webpanel sobre desenvolvimento colaborativo. Tivemos cerca de 48 participantes ao vivo (entre clientes Datasul, blogueiros, jornalistas e software houses) e na web uma audiência entre 60 e 90 participantes na sala de chat. O debate foi sensacional e só paramos ao meio-dia por fechamento do link, pois as perguntas e questionamentos (todos muito interessantes) não paravam de chegar.
O vídeo do evento está disponível no hotsite, na aba “gravação webcast”. Quem estiver interessado em fazer download ou ver os PPT´s por favor acessar no Slideshare:
É chegado o momento de iniciarmos para valer os trabalhos da comunidade Jukebox Software. O acesso à plataforma de colaboração pode ser feito em http://opensource.datasul.com.br
Algumas formas possíveis de participar são:
- Participando das discussões em fóruns;
- Sugerindo melhorias na documentação;
- Usando os componentes e sugerindo melhorias;
- Usando os componentes e reportando bugs;
- Lendo o manual de como fazer o build de um componente e melhorando o processo de empacotamento;
- Sugerindo como testar e melhorar os componentes;
- Enviando testes unitários;
- Olhando os códigos e sugerindo melhorias na estrutura interna;
- Contribuindo com patchs para corrigir bugs;
- Contribuindo com novas características para o código (features).
Porém, eu proponho que a definição das regras e do processo participativo também fossem desenvolvidas colaborativamente. Para esse fim abrimos um fórum chamado “Processo da Comunidade”.
Contribuam com suas sugestões.
Indo um pouco além, existem coisas mais operacionais a decidir como, por exemplo, a questão da adoção e apoio a padrões abertos. Devemos nos aproximar de entidades padronizadoras, como W3C e Java Community Process (JCP). Em nossos projetos devemos incentivar a utilização, sempre que possível dos padrões já existentes.
Além disso, precisamos nos organizar fisicamente como uma comunidade. Coisas chatas, mas necessárias como, por exemplo, discutir papéis, responsabilidades e eleger uma diretoria.
Aqueles de vocês que quiserem participar fisicamente da nossa comunidade, por favor, enviem seus contatos (nome, empresa, cargo, e-mail e telefone) para Rodrigo Bernardi, no e-mail contato@opensource.datasul.com.br
Tão logo tenhamos a relação de interessados faremos a convocação de uma primeira reunião para constituição de nossa comunidade, a ser realizada nos próximos 30 dias em São Paulo. Os demais, podem participar e colaborar com a comunidade (vide lista de possibilidades acima), mesmo sem o vínculo formal.
Um abraço.



